O documentário "Doze meses de resistência: A terra como horizonte de vida" será lançado oficialmente neste sábado, dia 08/07, às 18h, no Acampamento Maria Rosa Do Contestado (MST), em Castro.

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Apresentação

Jardim Maracanã, Santo Antônio e vila Cristina são locais que integram o bairro Nova Rússia e refletem a falta de planejamento urbano. A vila Izabel também faz parte do Nova Rússia e assim como as outras vilas ela também não surgiu através de um projeto urbano elaborado pela Prefeitura e sim por ocupação irregular.

O local, que era um loteamento de terras da família Guimarães, nasceu em 1964 e ganhou o nome em homenagem à filha do dono das terras.

O planejamento urbano é o processo de criação, organização e desenvolvimento de soluções que visam melhorar e revitalizar certos aspectos dentro de áreas urbanas. O objetivo principal é proporcionar aos habitantes melhor qualidade de vida.

Conforme  a Constituicão Federal, toda cidade com mais de 20 mil habitantes deve ter Plano Diretor, pois é ele que orienta o poder público, a iniciativa privada e a população sobre as atividades e organização do espaço urbano.

A geógrafa e professora do Departamento de Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Cicilian Sahr, explica que o Plano Diretor é apenas uma parte do processo de planejamento municipal que deve ser revisto a cada 10 anos. Na elaboração do plano Diretor e na fiscalização de sua implementação, os Poderes Legislativo e Executivo municipais tem um papel preponderante.

“São estes Poderes também que são responsáveis por garantir uma gestão democrática no município. Neste sentido, os munícipes passam a ser corresponsáveis na tarefa de elaboração, fiscalização e implementação do Plano Diretor”, afirma a geógrafa.

A família de Vanda Socsek foi uma das primeiras a construir casa na vila. A moradora conta que quando chegou no local não tinha água encanada e nem instalação de luz elétrica.

A falta desses elementos revela que o local não estava preparado para se tornar moradia. “As ruas não eram asfaltadas e eram cheios de buracos. Não existia nada, apenas mato”.

Cicilian Sahr acrescenta que, para ter um planejamento, eficaz é necessário que exista um corpo técnico transdisciplinar com geógrafo, arquiteto, economista, sociólogo, advogado, sanitarista e outros profissionais que sejam sensíveis à realidade da população.

“Estas pessoas devem estar alocados em um Instituto de Pesquisa e Planejamento, fazendo parte de um corpo técnico permanente, o que significa não mudar a cada gestão”.

Outro aspecto fundamental que precisa estar presente no planejamento urbano apontado pela geógrafa é o de estabelecimento de canais de comunicação com a sociedade, buscando garantir uma participação autêntica desta nas decisões de planejamento.

“O planejamento precisa ser um processo democrático, por isso cabe também à população pressionar para que o projeto seja efetivado e não vire mais um papel nas gavetas do poder público.”

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