Fundado em 1986, o Grupo Zoriá tenta manter as tradições ucranianas em Ponta Grossa. As atividades desenvolvidas pelo grupo incluem a confecção dos tradicionais bordados ucranianos e a pintura de pêssankas que são ovos de galinha feitos perto da Páscoa.

 Mas o Grupo não vive apenas dessas tradições. Até 2012, o Zoriá mantinha a dança folclórica ucraniana, mas essa atividade foi interrompida por falta de interesse e apoio da comunidade da Paróquia Transfiguração de Nosso Senhor de rito ucraíno-católico.

Segundo a integrante do grupo, Adriana Slaviero, muitos descendentes de ucranianos não tem o desejo de cultivar a tradição da dança por achar que ela não se integra as tradições religiosas da comunidade. “Quem não é descendente valoriza mais a dança ucraniana do que quem descende dos mesmos, tanto é que nós já tivemos no grupo dançarinos descendentes de negros e japoneses”, afirma.

O pároco da igreja, Metodio Techy, diz que a paróquia tem outras formas de manter viva as tradições ucranianas. Segundo ele, o grupo de jovens se reúne aos sábados para estudar sobre a cultura, aprender a bordar e pintar pêssankas. A igreja também mantém o curso de língua ucraniana, mas essa atividade foi interrompida em 2013 devido as reformas na igreja.

Lucélia Kulek faz parte do grupo de jovens da igreja e diz que o grupo até pensou retomar a dança ucraniana. “A gente sabe que a dança é importante, vemos em outras cidades como o trabalho dos grupos dá certo, o problema é que não temos quem ensaie a gente, porque os antigos dançarinos já têm outros afazeres, muitos já casaram, então não temos quem passe essa parte da cultura para os nossos jovens”, diz.

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