MG 8265Dona Catarina e seu namorado Gilberto no Grupo da Terceira Idade

O grupo da terceira idade da Associação de Moradores do bairro Santa Maria encerrou as atividades deste ano na última sexta-feira, dia 09. Na ocasião, foram organizados um almoço especial, bingo e café da tarde com direito a sorvete, bolo, cuca, sucos e chás.

 MG 8331Almoço servido no dia do encarramento das atividades de 2016


Os encontros do grupo acontecem sempre às sexta-feiras, das oito horas da manhã às quatro e meia da tarde. A sede da Associação de Moradores do Santa Maria é o local de encontro das senhoras, entre as quais se inclui a nova participante da equipe, Dona Odicleia do Nascimento.

“Faz dois meses que estou aqui. A vizinha Dona Terezinha me convidou e minha prima participa também. Então, é só alegria”, descreve. “A gente se diverte bastante”.

O grupo é composto apenas por mulheres, mas algumas levam, às vezes, seus maridos para acompanhar as atividades nas manhãs e tardes de sexta-feira.

 MG 8357Integrantes do grupo jogam bingo no encerramento

 

História da Terceira Idade no Santa Maria

O grupo existe desde o início dos anos 1990, tendo começado com seis integrantes. Atualmente, conta com mais ou menos 25 membros, sendo que as mulheres realizam atividades como crochê, tricô e pintura. O grupo ainda organiza bingos e rifas para arrecadar dinheiro na tentativa de superar a escassez de recursos.

“Estamos fracos de dinheiro. A gente tinha que ter mais materiais para poder fazer mais coisas. O pouco que a gente faz, a gente pega o dinheiro para repor e comprar o que precisar”, conta Paulina Fagundes Santos, que participa do grupo há 5 anos.

Paulina também conta que, normalmente, as integrantes do grupo vendem seus artesanatos entre elas mesmas. “É divertido. A gente passa uma tarde muito agradável, tomando chimarrão”, empolga-se. “Aqui, nós somos uma família, sempre juntas”, conclui.

 MG 8196As Senhoras do grupo realizam suas atividades, entre elas tricô e crochê

Entre as atividades realizadas em 2016, a mais empolgante foi o passeio a Carambeí, município vizinho a Ponta Grossa. O grupo contou com o apoio de militares do exército, que disponibilizaram um ônibus, tendo o combustível sido custeado pelo próprio grupo.

Um local para se guardar na memória

A Associação de Moradores e o grupo da terceira idade têm grande representatividade na vida de algumas mulheres, até mesmo as que não moram mais na região do Santa Maria. Catarina Baptista, que atualmente mora no Parque dos Pinheiros, já passou grandes momentos no seu antigo bairro.

“Fizemos a comemoração dos 50 anos de casamento aqui, neste salão. Depois de um ano, ele faleceu e também fizemos o velório aqui para estarmos tudo junto aos amigos”, conta Catarina, relembrando as últimas experiências vividas junto ao já falecido ex-marido, Seu Bento.

Refletindo sobre as novas experiências vivenciadas no campo afetivo após começar a participar do grupo, Catarina, que namora o Gilberto há 4 anos, diz acreditar nas coincidências da vida.

“Se a gente fosse escrever um livro não daria tão certo como agora. Meu ex-marido era do signo de gêmeos, nascido em 19 de junho, e o Gilberto também, em 8 de junho. Eu sou de sagitário, 15 de dezembro, e a ex-mulher dele de 30 de novembro, sagitário também”, descreve destacando que os ex-cônjuges dela e do namorado faleceram antes do aniversário e no mesmo ano. “Eu penso que os dois estão lá em cima felizes.”

Dificuldades

Um dos grandes pesares envolvendo o local da associação é sobre o aluguel do espaço para eventos. É necessário pagar uma taxa de mais ou menos R$ 200 para o presidente da Associação, o Seu Moacir.

Outro fato importante é a falta de áreas de lazer no bairro, como uma academia para a terceira idade. “A impressão que eu tenho é que a gente não paga imposto porque todo lugar por aí tem e nós não temos. E foi feito um protocolo [de solicitação de uma área de lazer] pelo grupo, no tempo do [ex-prefeito] Wosgrau”, descreve relembra Sirene Gonçalves, atual coordenadora do grupo de idosos.

A coordenadora diz ainda que o grupo chegou a receber uma resposta da prefeitura. “A prefeitura chegou a dizer que a gente teria nosso parquinho e, até agora, nada. Aqui, é fogo na roupa, menina. Nosso bairro é triste”, lamenta.

Sirene conta que teve um tempo em que os integrantes do grupo caminhavam e faziam atividades nas próprias ruas do bairro. Agora, no entanto, não é mais possível, pois tem muito movimento.

Anos atrás, um vereador colocou três aparelhos de academia comunitária no bairro, mas vândalos destruíram. Os mesmos equipamentos estão depositados em uma das salas da Associação de Moradores. Outra sala, que complementa a sede do grupo, está cheia de livros que seriam destinados a uma biblioteca que foi prometida pelo pessoal da Associação, mas não foi criada.

 MG 8219Equipamentos danificados estão guardados na Associação

 MG 8230Livros prometidos para biblioteca estão parados

A mãe da Dona Sirene foi coordenadora do grupo bem no início de sua história. Assim, através de sua mãe, Sirene começou a participar dos encontros, muitas vezes fazendo chá para as senhoras, pela facilidade de morar perto da Associação.

Porém, em 1995, a mãe faleceu e, desde então, Sirene nunca mais largou o grupo. Em 2010, ela assumiu a coordenadoria e, hoje, é, carinhosamente, chamada de “mãezona” pelas demais integrantes. “Criei meus filhos aqui. Agora, estou vendo meus netos crescerem aqui!”, completa.

Teve uma época que o grupo contava com sessenta e cinco pessoas, mas tem muitas pessoas que não se interessam, segundo Sirene. Ela também comenta que elas não realizam baile e essas atividades a mais, pois faz muita bagunça, mais prejuízo.

Apesar da falta de verba para as atividades, o ano de 2016 foi de muita confraternização, artesanatos e novas amizades no bairro do Santa Maria. “Arrumei muitas amigas. Agora sou feliz no meio delas. Se Deus quiser, ano que vem estaremos aqui de novo”, conta Jane de Lima, que participa do grupo.

Braço direito de Sirene e também cozinheira do grupo da terceira idade, Leonilda faz uma reflexão sobre como foi o ano para o grupo. “Foi bom, mas nós perdemos muitas pessoas do grupo. E também prometem fazer as coisas para o nosso grupo e acabam não fazendo”.

Em 2017 o grupo volta às atividades na primeira sexta-feira do mês de março.