Discussões sobre riscos à saúde do trabalhador causados pelo exercício de atividades insalubres têm tomado proporções preocupantes. De um lado, o Sindicato dos Metalúrgicos defende o término do pagamento da insalubridade, ou seja, da remuneração extra aos trabalhadores que correm riscos de acidente e problemas de saúde devido à profissão. Posição defendida não com o intuito de prejudicar os trabalhadores financeiramente, mas de acabar com os ambientes de risco.

 

De outro, os trabalhadores consideram o bônus essencial para proporcionar melhores condições à sua família. Mas por que não a vida em primeiro lugar e com o máximo de dignidade? Ora, acabar com os riscos é primordial, mas que a remuneração possa proporcionar o mínimo de dignidade aos que dela dependem.  

Quando é que as indústrias irão valorizar seus principais aliados e colaboradores, aqueles que fazem a empresa funcionar de fato? Ao contrário, de acordo com o sindicato, pequenas empresas nem se preocupam em ofertar equipamentos de segurança e deixam à mercê aqueles que as enriquecem.  

Para agravar ainda mais a situação, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) conta com apenas oito auditores para fiscalizar irregularidades. A gerente regional do MTE, Eliane Nofre, admite que o número é insuficiente. Ela afirma ainda que os trabalhos de fiscalização são baseados em denúncias, o que permite outra discussão: como os trabalhadores, que precisam manter seu sustento e da sua família, vão denunciar o próprio patrão e a empresa em que trabalham? Sendo assim, o Ministério fica de braços atados esperando o impossível.  

O descaso do Ministério existe, as falcatruas dos empregadores se manifestam e os principais afetados se omitem diante da situação (por causa da sua posição desfavorável). Lastimável! É preciso ampliar as discussões nesse sentido. Ouvir ambas as partes, principalmente a classe operária. E é esse o papel que os sindicatos desempenham: expor a situação, buscar opiniões e apresentar soluções.  

Mas quanto vale a sua vida? Em média, o adicional de insalubridade pago aos metalúrgicos é de 20 % sobre o salário base, o que dá cerca de 100 reais. Ou seja, dinheiro dado em troca de prejudicar a saúde do trabalhador, expondo-o a produtos químicos, barulho e máquinas pesadas que colocam em risco a sua vida. Assim, em primeiro lugar, o correto é acabar com as situações de risco dentro das empresas metalúrgicas, e depois manter, através do próprio salário e não via bônus, uma remuneração digna aos trabalhadores.

Leia a reportagem:
Fiscalização precária facilita a ocorrência de acidentes de trabalho