O documentário "Doze meses de resistência: A terra como horizonte de vida" será lançado oficialmente neste sábado, dia 08/07, às 18h, no Acampamento Maria Rosa Do Contestado (MST), em Castro.

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Apresentação

A cada ano o velho problema volta a ocorrer no bairro Santo Antônio: as fortes chuvas chegam e destroem ruas como Cafeara, São Jerônimo da Serra e Ribeirão do Pinhal. Ruas como essas, de terreno arenoso - numa composição de areia e calcário - tornam-se ainda mais perigosas com a chuva. Em tempos de grande precipitação, os moradores mal conseguem chegar ou sair das próprias casas, seja de carro ou a pé.

 

Como se não bastasse isso, as manilhas, responsáveis pelo escoamento da água, encontram-se em péssimo estado de conservação, o que possibilita o alagamento de algumas moradias. As manilhas que serviriam para o esgoto de pias residenciais estão quebradas, e este corre livremente pelas ruas do bairro quando chove. Os bueiros ficam entupidos com o lixo, restos de plantas e resíduos que a chuva leva para os arroios.

Além disso, o caminhão de lixo não consegue transitar pelo local, e os moradores encontram como solução: depositar o lixo nas ruas, deixá-los na própria casa, ou caminhar em meio ao barro até a esquina mais próxima para poder depositar o lixo.

De acordo com o Artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família, saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis (...).” Os moradores do bairro são desprovidos até mesmo de um saneamento básico adequado e do acesso à própria casa, o que lhes garantiria uma vida digna de cidadão.

Os representantes políticos afirmam que o papel da Prefeitura já está feito: jogar cascalhos nas ruas. E que o esgoto não é um problema a ser resolvido por eles. O representante da Prefeitura diz que simplesmente não sabe o porquê da demora em consertar essas ruas, ou melhor, de jogar cascalhos nelas. E o órgão responsável pelo esgoto diz que para haver a escoação adequada, precisa de manilhas, e que isto compete à Prefeitura.

E o culpado por todos esses problemas é apenas um: o relevo planáltico. É essa desculpa utilizada pelos órgãos públicos e pelos representantes políticos. A culpa recai sobre aquilo que não tem como modificar. O relevo torna-se o vilão dos moradores, já que este não pode falar para se defender.

Se o relevo é tão inadequado para os moradores, por que foram permitidas as construções dessas casas? Se a permissão foi nesta ou em outra gestão, não importa. Cabe à atual gestão municipal cuidar para que essas pessoas consigam ter uma vida decente.

Enquanto as autoridades encontram como culpado o relevo, alguns moradores do bairro encontram na fé em Deus a solução. Os habitantes do local rezam para que não chova, “porque se vier uma chuva, a água vai levar toda essas pedrinhas embora.”

Veja a reportagem: Falta de manutenção das ruas do Santo Antonio prejudica moradores