As terras ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Ponta Grossa estão sendo medidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O procedimento, denominado geo-referenciamento, é um pré-requisito para o processo de compra das terras. 

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O impasse sobre quem custearia as diárias do funcionário do Incra para a medição foi resolvido. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dona das terras, é quem está pagando.

Os custos se referem às despesas de deslocamento e permanência do funcionário em Ponta Grossa. O geo-referenciamento visa à delimitação das áreas a serem compradas. Segundo o ouvidor agrário do Incra Paraná, Luasses dos Santos, dentro de um “curto prazo” o procedimento estará terminado.

Depois de medida, a área será adquirida pelo Incra com vistas à transformação em assentamento rural. Feita a compra, o acampamento Emiliano Zapata adquirirá automaticamente o caráter de pré-assentamento.
 Em seguida, o Incra fará um estudo sobre o local para determinar o número de famílias que serão assentadas, quantos são os lotes, qual a produção, entre outros aspectos.
De acordo com o coordenador do MST em Ponta Grossa, Célio Rodrigues, a luta também é pelo avanço da reforma agrária. Ele explica que a regularização da área pode ajudar na construção de mais capacidade econômica para o desenvolvimento da luta em Ponta Grossa.

Mas Célio ressalva que a luta continua mesmo após a regularização. “Aqui nós trabalhamos com a nomenclatura, não de assentamento, mas de comunidade de resistência. A maioria das famílias já entende que a nossa luta não é só pela terra, mas sim pela transformação da sociedade e pela construção de um novo modelo de desenvolvimento”, afirma.

Na opinião de Luasses, a regularização de áreas de ocupação é de extrema importância. “Há um conflito estabelecido. São famílias demandando um direito constitucional à moradia, alimentação”, opina.

O ouvidor acredita que a melhor maneira de o Estado agir é adquirindo terras para a Reforma Agrária. De acordo com Luasses, isso manterá as famílias no local em que estão acostumadas, tirando-as da situação marginalizada no campo e evitando que migrem para a cidade, onde acabariam também marginalizadas.

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