O debate promovido na Câmara Municipal de Ponta Grossa, no dia 23 de junho, retirou todos os termos referentes às questões de gênero do Plano Municipal de Educação. A votação mobilizou a comunidade religiosa da cidade, que compareceu à sessão em peso, apoiando a retirada dos termos ‘gênero’, ‘LGBT’, ‘identidade’ e ‘diversidade sexual’.

As consequências acarretadas pela retirada dos termos referentes às questões de gênero

Comunidade universitária se posiciona em defesa do debate de gênero na educação pública

Editorial - A não surpreendente evasão escolar da comunidade LGBT

 

A integrante do Coletivo Feminista Amapô, Bárbara Postanovicz, relata que integrantes das igrejas cristãs estavam em maior número e tentaram impedir membros da comunidade LGBT de participar da sessão.

O vereador e também pastor Ezequiel Bueno (PRB), foi um dos autores das emendas que retiraram a discussão de gênero e diversidade sexual das escolas da rede municipal.

“Eu sou contra falar para uma criança de sete anos que ela tem a opção de ser homem ou mulher. Se é um menino, é um menino. Se é uma menina, é uma menina. Quando eles tiverem 18 anos, que já entendem o que é certo ou errado, aí sim será preciso orientar”, defende Ezequiel.

Ele também afirma que esse não é um assunto que deve ser tratado com crianças dentro do ambiente escolar.

“Não posso dizer que não tem a questão religiosa envolvida, é claro que tem! O pai e a mãe devem orientar seus filhos. O país é laico e pode ser de todas as religiões. Por isso, todo mundo tem o direito de ensinar seus filhos de acordo com aquilo que acha correto e com sua religião”, explica o vereador.

Questionado sobre o papel da escola no combate ao preconceito, pastor Ezequiel disse: “Se uma pessoa está sofrendo com isso, esse caso precisa ser trabalhado. Quanto mais se fala de um assunto, principalmente para crianças, pior é”.

A pesquisadora do Grupo Jornalismo e Gênero da UEPG, Karina Janz Woitowicz, compreende que a decisão do dia 23 de junho na Câmara de Vereadores foi tomada com argumentos baseados em dados infundados.

“Lamentavelmente, as decisões foram tomadas muito pautadas em motivações que têm um caráter religioso. Na maioria das vezes, eu entendo que as pessoas presentes sequer tinham conhecimento do que se tratava o plano de educação”, relata.

 

 

 

 

Arquivo Comunitário
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