Vencedora do último desfile de carnaval da cidade, a escola de samba Globo de Cristal relata que não tem apoio nem recursos suficientes para organizar seus carros e alegorias.

 

Enquanto a Av. Vicente Machado já esvaziou, os restos do Carnaval de 2014 das escolas de samba de Ponta Grossa permanecem guardados em locais improvisados. Na Vila Mariana, a escola Globo de Cristal, vencedora da última edição do carnaval de rua da cidade, relata a falta de infraestrutura e apoio das instituições municipais.


Apesar dos 43 anos de tradição no bairro e mais de 8 títulos de vencedor, a falta de apoio quase motivou a desistência da Globo de Cristal em participar dos carnavais da cidade.  O presidente da escola, José Nelson dos Santos, ou simplesmente “Seu Nelson” - chamado assim por todos da Vila Mariana - relata que os ensaios da Escola e a decoração dos carros alegóricos acontecem na rua de casa.    


“Não queremos que o carnaval morra em Ponta Grossa, por isso persistimos. A Secretaria de Cultura deve tomar atitudes para que o evento não se acabe”, afirma Seu Nelson. Nas quatro décadas de existência de desfile, 12 escolas de samba já desfilaram na Avenida, mas 9 desistiram por falta de recursos.


“Nos deram a promessa de receber a verba três meses antes, mas recebemos o dinheiro apenas 20 dias antes do desfile, produzíamos de madrugada”, explica a carnavalesca da escola, Delvana Bueno.


Delvana ainda fala que, sem local para que os carros alegóricos e as fantasias sejam guardadas corretamente, muitos materiais se perdem e não podem ser reaproveitados para as próximas edições.


O secretário de cultura, Paulo Goulart conta que alguns projetos de melhoria   para o carnaval entrarão em vigor ano que vem. “Reservamos um local fora da cidade para que as fantasias e carros sejam guardados, tudo poderá ser reaproveitado”.


Goulart afirma que a Prefeitura não tinha  dinheiro suficiente para ser liberado três meses antes do evento, de acordo com ele: “As escolas precisam ser autossustentáveis, não apenas depender de nós. Temos projetos de melhoria de infraestrutura e estética, mas nós exigiremos muito mais técnica da parte deles”.