Inaugurado há três anos, o local não oferece aos moradores farmácia, mercado ou escola. Apenas uma praça e esgoto servem para a vivência de quem mora no local. Direção da Prolar diz que obras ainda não estão completas

Enquanto o centro fica cerca de 30 Km dali, os moradores circulam pelo conjunto habitacional recém-formado. Seu Pedro D’Paula, que acabou de se mudar para a Vila, troca o pneu do Chevette ano 86 na esquina da rua, que ainda não foi nomeada. Mateus, de 8 anos, acaba de empinar a pipa, única atividade de lazer em um lugar com apenas uma praça para brincar.

Quando o ônibus finalmente chega no Panamá, pessoas sobem, com pressa, outras descem, a maioria cheia de sacolas. “Fui no centro comprar comida, nos mercadinhos daqui é tudo tão caro. Se quiser viver bem, tem que subir na cidade quase sempre”, conta a moradora, Roseli Moura, com 5 sacolas na mão. Ir ao centro para suprir as necessidades básicas, como comer ou comprar remédios, já virou rotina para os moradores, pois a localidade bairro não tem mercado ou farmácia, e o posto de saúde mais próximo fica a 11 Km, no CAS de Uvanaras.

Desde 2010, a Prefeitura de PG, através da Companhia de Habitação de Ponta Grossa (Prolar), planejou três conjuntos habitacionais para serem construídos no Bairro Neves até 2011. As pessoas que hoje moram ali foram tiradas de locais considerados de risco, perto de arroios e desabamentos. Aproximadamente 600 moradores distribuem-se nos três conjuntos. “Minha casa, agora, é muito melhor, mas tenho que ir ao centro para tudo Aqui não tem nada”, explica Claudete Pinheiro, moradora do Panamá. O planejamento da vila iniciou com a colaboração do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, que aprova e libera recursos para facilitar as construções das casas.

Enquanto a parte antiga de Ponta Grossa fervilha de pessoas e carros, as janelas das casas de dois cômodos do loteamento Panamá podem ver toda a cidade. O local era vazio há dois anos. É só conversar com quem mora ali, a vista é a parte mais bonita do novo loteamento.