Apesar da chegada de dois médicos cubanos, moradores reclamam da demora em serviços de saúde no local. Basta perguntar para alguns moradores do Núcleo 31 de Março (bairro Neves) sobre o atendimento de saúde, para concluir que a palavra “péssimo” é recorrente. Mas, com ressalvas.

O atendimento prestado pelos dois novos médicos cubanos é elogiado pela população. A questão é que a equipe não aumentou: dois outros médicos saíram para a chegada dos novos.

“Nunca tem médico. Às vezes demora uns seis meses pra marcar consulta. Estava com tonturas e queria marcar um neurologista, mas até hoje não consegui. Acho até que já me curei!”, conta a moradora Crislaine Oliveira. Sobre os médicos cubanos ela observa: “atendem bem, mas é difícil a comunicação com eles.”

Silvana de Jesus tem história semelhante. “Tomo remédio controlado e faz dois meses que não consigo a receita. Sempre foi assim. Marcar uma consulta é difícil”, relata.  Altevir Ribeiro, morador do Jardim Giana (onde não há unidade de saúde), acrescenta: “se você não vir aqui às 6h da manhã fica difícil conseguir atendimento”.

O problema é que nem todas as consultas podem ser feitas na unidade de saúde. Neurologia e oftalmologia, por exemplo, são consideradas de complexidade média e apenas o encaminhamento é competência da unidade de saúde: “realmente demora. A central de agendamento de média complexidade que agenda essas consultas. Com oftalmologista está complicado conseguir”, esclarece a Coordenadora do Distrito de Saúde Uvaranas II, Tereza Miranda.

Rosicléia dos Passos, diretora da unidade do 31, explica que estão trabalhando com o limite do mínimo de equipe. “Toda semana são realizados exames. Os novos médicos fazem 40 receitas a mais por dia. Com doenças crônicas estando tudo normal, renovamos a receita por mais seis meses, sempre com acompanhamento”, explica Rosicléia.

O médico cubano Pedro González veio para Ponta Grossa há dois meses. Ele e sua esposa integram a equipe no 31. González acredita que a consulta deve ser mais que apenas receitar um medicamento: “É conversar, explicar o que a pessoa tem e o porque daquela medicação”, explica.

A reportagem Portal Comunitário solicitou o contato, via assessoria de imprensa, do responsável pela questão na Secretaria de Saúde da cidade. Entretanto a pessoa não estava disponível para entrevista durante o período de apuração.

 

Arquivo Comunitário

28/07/14 - O bairro, o golpe e a memória de uma ditadura em Ponta Grossa

20/08/14 - Autarquia Municipal de Trânsito faz rondas ao redor de bares e casas noturnas