Moradores do Condomínio Popular no bairro Neves sofrem por falta de saneamento básico e problemas de endereço. Quem vive na quarta rua do condomínio não pode receber cartas, compras e contas de água e luz, pois ainda não tem endereço identificado.

Na quarta rua de um condomínio popular no bairro Neves, pessoas transitam em um espaço estreito. A rua não tem nome, muitos dos que moram ali, sem ter onde ficar, ocuparam para construir suas casas.

A quarta rua existe há mais de 15 anos, mas não há esgoto, ou sistema de luz, correio e muito menos endereço reconhecido. Os moradores não sabem em que bairro a rua fica.

“Dou o endereço da rua de cima. Muitos dizem que aqui pertence ao Rio Verde, outros pensam que aqui é Núcleo Pitangui”, diz a moradora da sétima casa da rua, Kelly Pereira Prado. A numeração das casas é informal, assim como o sistema de esgoto. Tudo o que vem das casas é jogado em um córrego que passa ao lado.

Conta de luz, água, correio ou entrega de compras não chegam ao destino, pois o endereço ainda não existe. Quem vive ali também precisa conviver com o mau cheiro e a informalidade do esgoto. “Não sei nem para onde vai meu esgoto, quando chove a rua alaga, os canos ficam à mostra e tudo fede”, relata Kelly Prado.

No registro da Prefeitura de Ponta Grossa, as quatro ruas do Condomínio Popular estão nomeadas como 1º rua Condomínio Real 1, 2ª rua Condomínio Anna Proviller B-2, 3ª rua Condomínio Social do Ofício 1, e 4ª rua Condomínio Social do Ofício 2. Porém, as duas últimas não têm nome, e a quarta é que mais sofre com problemas estruturais. Todas são prolongamento da Fagundes Varella, principal rua no Núcleo 31 de Março e Rio Verde.

“É muito comum indicar a Fagundes Varella como nosso endereço, para receber as encomendas e contas. Aqui está tudo ao Deus dará. Fizemos até abaixo-assinado para colocarem asfalto, mas aqui parece que não existe para a Prefeitura”, conta José Arthur Ribeiro, mais conhecido como Seu Arthur, que mora há 12 anos no local.

O diretor do Departamento de Urbanismo, Orlando Hennemberg, diz que as casas do condomínio são conveniadas com a Prolar e, pelo projeto, era para que apenas as duas primeiras ruas fossem construídas.