O resultado foi comemorado pelo público, que, em coro, pedia: “fora Beto Richa”

Na sessão da Câmara Municipal realizada nesta segunda-feira, dia 11, foram aprovados cinco requerimentos propostos pelo vereador Antônio Aguinel (PCdoB). Com os documentos, o legislativo municipal reconhece a responsabilidade e reprova a conduta do governador Carlos Alberto Richa (PSDB) e de secretários de estado no episódio de 29 de abril, que ficou conhecido como o dia do massacre aos professores.

 

Nessa data, 213 pessoas ficaram feridas após operação policial que visou impedir o acesso do público às galerias da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep), durante a sessão de votação, em segundo turno, do PL 252 / 2015.

Durante a sessão na Câmara Municipal de Ponta Grossa, vereadores expressaram apoio aos professores, reconhecendo a ação, de desmedida violência, realizada pela polícia militar.

O vereador Ezequiel Marcos Ferreira Bueno (PRB), lembrando os tempos em que atuou como policial militar, afirmou que qualquer operação policial, na dimensão da realizada em 29 de abril, é acompanhada, de perto, pelo secretário de segurança.

Foram ainda lembrados os processos de investigação, realizados por órgãos do poder judiciário estadual, bem como dos poderes executivo e legislativo, a nível federal, para apurar não somente os abusos na operação policial, mas também a legalidade do PL 252 / 2015 que alterou o regime ParanáPrevidência.

 

Se não concorda, deixe o cargo
As moções de repúdio foram dirigidas não somente ao governador Beto Richa, mas também para o ex-secretário de Segurança e Administração Penitenciária, Fernando Francischini, o ex-secretário de Educação, Fernando Xavier, e o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes. Este último ocupou, por três mandatos, o cargo de reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Um dos defensores do ex-secretário de educação e do secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi o vereador Antônio Laroca (PDT). Para o vereador não estava clara a responsabilidade dos mesmos.

A fala de Laroca foi seguida de forte reação não só por parte do público, que ocupava a galeria, mas também de alguns de seus colegas. Para o vice-presidente da Câmara de Vereadores, Pietro Arnaud Santos da Silva (PTB), a não concordância com o projeto de lei encaminhado, pelo governo, à Alep, bem como com a desastrosa operação policial, exige o compromisso ético de deixar o cargo de secretário.

Embora tenha declarado que não pediria desculpas aos professores que ocupavam a galeria, Laroca se comprometeu a encaminhar à casa uma moção de repúdio ao presidente da Alep, o deputado Ademar Traiano (PSDB).

Professores da UEPG e da rede de ensino estadual do Paraná ocuparam a galeria levando cartazes e fotografias. Durante a discussão dos pedidos de moção de repúdio, o público permaneceu em pé, expondo ao parlamentares as fotos. As aprovações dos requerimentos eram comemoradas com aplausos e com o coro que pedia “fora Beto Richa”.

As imagens compõem o ensaio fotográfico realizado por integrantes do projeto de extensão Lente Quente, do curso de Jornalismo da UEPG. A exposição tem percorrido a cidade de Ponta Grossa a fim de mostrar cenas do massacre de 29 de abril.

Os vereadores também aprovaram a moção de apelo solicitando a revogação da lei sancionada pelo governador Beto Richa, que altera sistema de previdência do Estado do Paraná. O pedido foi apoiado até mesmo pelo vereador Daniel Anderson 'Milla' Fracaro (PSDB), para quem o fato de ser do mesmo partido de Richa não impede de reconhecer os excessos cometidos pelo governador para aprovar o PL 252 / 2015.

Os vereadores também expressaram o interesse de votar lei que institua o dia 29 abril como uma data do calendário parlamentar. O objetivo é evitar que se repitam as atrocidades cometidas no Centro Cívico.

Data-base
Representantes do SindUEPG participam nesta terça-feira, dia 12, de ato público que será realizado no Centro Cívico, em Curitiba. O objetivo do evento é a defesa da data-base de 2015. Está prevista ainda a participação em reunião, às 10 horas, na Secretaria de Administração e Previdência quando o governo irá informar, aos sindicatos dos servidores do Estado do Paraná, sua proposta para o reajuste salarial.

Arquivo comunitário
04/05/2015 - Exposição fotográfica sobre o ataque aos professores percorre locais públicos e escolas de Ponta Grossa
02/05/2015 - População de Ponta Grossa repudia violência aos professores