altQuando a questão não é individual, mas
de saúde pública

EDITORIAL
A objetividade do jornalismo, às vezes,
não basta
    O quadro de apreensão de drogas em Ponta Grossa demonstra que o tráfico não se localiza apenas em uma determinada região, variando em aspectos geográficos e também pela característica da droga. Cocaína, maconha e crack são as mais encontradas em Ponta Grossa. No Jardim Maracanã, entre as principais reclamações dos moradores encontra-se a questão das drogas, como relatam pais de dependentes químicos sobre as dificuldades que enfrentam.

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A dependência química pode trazer consequências nocivas


Dados da Secretaria do Estado de Segurança Pública sobre apreensão de drogas mostram que, em Ponta Grossa, o tráfico não se localiza apenas em uma determinada região, pois os números variam não só pelo aspecto geográfico, mas também pela característica da droga. Analisando os dados, é possível perceber que cocaína, maconha e crack são os três tipos de droga mais encontradas em Ponta Grossa.

Em sete anos, foram apreendidos 140.687 kg de cocaína, 267.480 pedras de crack e 984.729 kg de maconha em 149 locais de Ponta Grossa. Boa Vista, com 21,3 % do total de cocaína, Nova Rússia com 25,4 % do total de crack em pedras e Vila Liane com 28,7% do total de maconha são os locais onde mais ocorreram apreensões de drogas.

No Jardim Maracanã, uma das vilas que integram o bairro Nova Rússia, nunca foi apreendida cocaína. Mas de maconha foram 65.723 kg e de crack 338.225 pedras.

Os dados sobre o tráfico de drogas em Ponta Grossa, coletados entre 16 de junho de 2003 e 13 de maio de 2010, mostram que 1.555 homens e 268 mulheres foram presos, além de 422 adolescentes, sendo que 87,5% são meninos.

Do total de homens presos, 3,7% são do Jardim Maracanã. Já a percentagem feminina fica em torno de 1,1% do total. Com relação aos adolescentes apreendidos na vila, o número cai para 0,7% do total.

A presidente da Associação dos Moradores do Jardim Maracanã, Delci Bonatto, conta que acontecem muitos problemas na vila por causa do uso e comercialização de drogas. Em festas que a própria Associação promove, já existiram casos de depredação da sede, por causa do uso de drogas. “Tem que pegar quem traz as drogas para dentro da vila”, diz.

A presidente conta que começou a fazer contratos de locação, pois se alguma coisa grave acontecer durante uma determinada festa, a pessoa que alugou terá total responsabilidade.

“Se a polícia aparecer aqui e encontrar drogas ou outra coisa ilegal, a Associação não será envolvida porque eu faço contratos com todos que querem usar a sede”, relata Delci.

O tenente Leandro de Azevedo, da Polícia Militar de Ponta Grossa, fala que apesar de esses números do Jardim Maracanã serem baixos, eles representam uma situação crítica do local. Mas o tenente alega que a Polícia não pode ser responsabilizada por esses fatores, já que tem as suas limitações técnicas.

“A vila é relativamente pequena, por isso 47 pessoas representam algo que deve ser considerado como importante, porém existem muitos aspectos a serem levados em conta e não apenas a ação da polícia”.

Azevedo ainda ressalta que o tráfico de drogas não está separado da violência nas vilas, porque acaba por ser uma maneira de comercializar os objetos roubados.

Os dados de criminalidade de Ponta Grossa apresentados pela Polícia Militar do Paraná mostram que, no mês de maio, ocorreram na cidade 69 roubos e 6 furtos. Em julho, o número de roubos aumentou 7% e o de furtos 53% com relação ao período anterior.

Os maiores números de ocorrências de furtos e roubos estão nos bairros Uvaranas, Nova Rússia, Nossa Senhora das Graças e também na região central da cidade. Dentre essas localidades, se destacam Uvaranas, com 10 roubos no mês de maio e 8 em junho, e Nova Rússia, com 9 roubos em maio e 13 no mês de junho.

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