A Sanepar voltou a abastecer na quarta-feira (25/03) os pontos da Vila Hilgemberg que ficaram três dias inteiros sem água. Os moradores atearam fogo em pneus e bloquearam a Rua Paes de Andrade para chamar a atenção da empresa, que não atendia às reclamações.

Moradores da Via Hilgemberg, no bairro Nova Rússia, voltaram a receber água na quarta-feira (28/03) depois de três dias sem abastecimento. Quase 15 famílias ficaram sem fornecimento no local desde a noite de domingo. De acordo com moradores, o problema se estendia há quase dois meses, mas só em partes do dia. A água costumava chegar apenas de madrugada e acabava logo pela manhã.

A moradora do bairro, Eliane de Moura Ribas, conta que a falta de abastecimento afetou tarefas domésticas básicas. “A água chegava à noite e de manhã faltava de novo. Não tinha como dar banho nos meus cinco meninos”, conta Eliane. Ela relata que precisou buscar água nos vizinhos para cuidar da higiene dos filhos.

Na terca-feira, os moradores atearam fogo em madeiras e pneus e também bloquearam a passagem da rua Paes de Andrade para chamar a atenção da Sanepar, que não atendia às reclamações. A organizadora da manifestação, Débora Lee, afirma que eles protestaram devido ao descaso da Sanepar. “Nós ligávamos lá e contávamos o que estava acontecendo, mas eles não vinham consertar. Pagamos as contas regularmente, então queremos serviço de qualidade”, diz. Um dia após o protesto, a empresa resolveu a situação.

Vazamentos na rede causaram falha no abastecimento
A Sanepar comunicou que tomou as providências logo que soube do problema. O vazamento em canos da rede que vinham do Santa Paula e distribuíam água para a Vila Hilgemberg acabou na terça-feira e, no dia seguinte, os imóveis tiveram o abastecimento reestabelecido aos poucos.

Segundo a Sanepar, os moradores que se sentirem lesados com a situação devem comparecer ao escritório de atendimento da empresa com uma conta de água e documento pessoal. O escritório fica na Rua Balduino Taques, nº 1150.

Problemas prejudicaram comércio e serviços comunitários
Segundo Débora, as escolas, creches e até mesmo a Unidade de Saúde Félix Viana ficaram sem água. “O posto de saúde dispensou pacientes porque não tinha como fazer higienização dos equipamentos. A filha da minha vizinha ardia em febre e não pôde ser atendida”, conta a moradora. Para ela, a situação continuaria a mesma se o protesto não tivesse acontecido.

A comerciante Mariele Padilha relata que há cinco dias não lavava o piso da mercearia por falta de água. “É questão de higiene, nós sabemos, mas não tinha nem como lavar as mãos ou limpar o chão. Tive que fechar o banheiro porque ninguém conseguia usar a descarga”, explica Mariele.

A Associação Assistencial Espírita Messe de Amor prepara sopas todas as quartas e sábados para distribuir para a comunidade. De acordo com o presidente da instituição, Roberto Pereira de Carvalho, cerca de 100 pessoas participam da refeição. “Durante um mês não tinha água aqui todo sábado depois das dez horas da manhã. A falta de abastecimento prejudica o trabalho da associação e também os moradores, que precisam da sopa para almoçar ou jantar”, explica. Voluntário da Messe de Amor desde 1995, Teófilo Schimidt, 89 anos, conta que os colaboradores já pediram ajuda aos vizinhos outras vezes e espera que o problema não volte.

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