O exemplo de Olarias é um reflexo da falta de planejamento urbano de Ponta Grossa. O coronel Edimir de Paula, presidente da AMTT (Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte) diz que a cidade foi projetada há 188 anos, numa época em que se andava de carroça e, por isso, não está preparada para receber 165 mil carros (frota atual do município).

Para ele, a cidade não possui planejamento, as vias são encaixotadas e o número de veículos é muito alto. Além disso, as pessoas não respeitam as leis de trânsito. “Nós podemos até fazer o binário em Olarias, mas não vai resolver o problema. Enquanto não tivermos motoristas conscientes, que sejam escravos do Código de Trânsito e respeitem todas as leis, não há o que fazer”, afirma o coronel. 

Segundo Joel Larocca, professor urbanista de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e ex-integrante da Secretaria de Planejamento, nenhuma rua da cidade foi planejada, o que resultou na má distribuição de vias de alta velocidade perto de locais com grande circulação de pessoas.

Larocca acredita que as ruas Ricardo Wagner e Operários devem passar por um processo conhecido como tranquilização de tráfego (traffic calming - Confira definição.)Para ele, pequenos itens de diminuição da velocidade, que não provoquem impacto violento como lombadas eletrônicas, podem ser implantados. “Dispositivos horizontais, verticais, ilustrativos, ou uma simples rotatória, já fariam o motorista pisar no freio”.

Ele aponta que a transposição em um binário (ruas de mão única) não seria razoável, visto que a via com menos obstáculos favorece o aumento da velocidade. “O binário seria interessante para a travessia dos pedestres, que se preocupariam com apenas uma direção dos carros. Mas só seria eficaz se junto a ele fosse implantado um redutor de velocidade”, afirma o professor.

Alguns moradores são contrários à mudança no sentido das ruas. “Se tiver a mão única quem atravessa cuida só de um lado, não precisa olhar dos dois, mas a velocidade dos carros aumentaria. Eu acredito que um guarda de trânsito ajudaria a controlar a passagem dos carros, ao menos na entrada ou saída das crianças”, conta Maria Rosa Galdino, que sofreu um acidente e perdeu o marido na rua Operários em fevereiro desse ano.

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