A greve dos agentes universitários da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) teve início nesta-quinta-feira, dia 19, somando-se à paralisação dos professores da instituição, que já completa dez dias. A decisão foi aprovada, na última sexta-feira, por cerca de 380 servidores em assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos Estaduais de Ensino Superior de Ponta Grossa (Sintespo).

 

Na pauta de reivindicações aprovada pela assembleia, constam desde a retirada definitiva dos projetos enviados pelo governo estadual à Assembleia Legislativa (Alep) até a abertura de novos concursos públicos para completar o quadro de servidores da universidade (veja, abaixo, a lista completa).

Ruan Ferraz, membro do Comando de Greve, diz que são três os motivos principais da greve: "o pagamento das férias (1/3), a retirada definitiva do projeto que muda as regras da aposentadoria e a discussão de um novo modelo para o Sistema de Assistência à Saúde (SAS), sem descontos do servidores".

O servidor defende também a necessidade de uma discussão ampla sobre a proposta de autonomia universitária, "envolvendo professores, agentes universitários e acadêmicos".

Para Tereza Aparecida Lopes, técnica administrativa no Departamento de Serviço Social, a prioridade deve ser o SAS. Ela conta que todo o atendimento de saúde está suspenso para os servidores estaduais, inclusive na emergência dos hospitais.

Segundo Sirlei Carvalho Zainedin, do Setor de Limpeza (Selim), pela primeira vez, nos mais de 20 anos em que trabalha na UEPG, todos do Selim do Campus Central estão unidos na greve. Ela concorda com Tereza sobre a importância do SAS:

"Antes a gente agendava as consultas e fazia com 15, 20 dias. Fazia exames, cirurgias, tudo coberto pelo SAS. Eu fiz cirurgia ano passado, meu esposo e meu filho também, e só pagamos o instrumentista", conta a servidora.

Sobrecarga
Na opinião de Sirlei, há ainda outra reivindicação muito importante: a contratação de mais servidores. Ela relata que, 23 anos atrás, quando entrou na UEPG, o Selim do Campus Central tinha 60 pessoas e hoje tem somente 13.

"Fora os que faleceram e os que se aposentaram, tem muita gente em disfunção. Por causa de problemas de saúde, tem gente que passou para a vigilância, para a entrada do RU e outros lugares".

Com isso, explica Sirlei, em vez dos três funcionários que trabalhavam antes em cada corredor do Campus Central, cada pessoa agora tem de dar conta sozinha de um corredor e ainda cobrir outra área.

"Eles deslocam daqui, quando tem falta no Museu, na Proex, na Iesol, no Pax, além do Centro de Estudos e do Piqueri, que já são mesmo tarefa nossa".

A assembleia do Sintespo aprovou também a unificação da greve, por meio da participação no Fórum Estadual dos/as Servidores/as (FES), composto pelas várias categorias do funcionalismo público do Paraná. (ver Fórum de Servidores solicita reunião de negociação coletiva com governo do Paraná).

Greve geral
Marcelo Bronosky, presidente da Seção Sindical dos Docente da UEPG (Sinduepg), avalia que a greve dos agentes universitários reforça o movimento dos docentes. "Nossa expectativa é de alcançar a adesão quase total da universidade".

De acordo com o professor, a greve na UEPG continua por tempo indeterminado até o pagamento dos atrasados, a abertura de negociação com todas as categorias de servidores e o estabelecimento de um processo de construção democrática do modelo de autonomia universitária.

Em comunicado na tarde desta quinta-feira, o Sinduepg informa que foi composto um Comando Unificado de Greve com representação de docentes e agentes universitários, com o objetivo de "organizar as ações e definir as estratégias da greve na UEPG".
 
Pauta de reivindicações aprovada na assembléia do Sintespo

  • retirada definitiva da Assembleia Legislativa do Paraná dos projetos que tratam da ParanaPrevidência e retiram direitos adquiridos (atuais do pacotaço quinquênio e anuenio);
  • pagamento imediato do 1/3 de férias constitucionais (janeiro/15);
  • novo modelo de SAS sem exigir cobrança dos servidores;  
  • abertura do diálogo e negociação com todos os professores, técnicos, acadêmicos e a sociedade paranaense sobre o projeto de Autonomia Universitária anunciado aos reitores das IEES;
  • aprovação imediata do Plano de Carreira Cargos e Salários dos agentes universitários amplamente discutidos e aprovado em conjunto com os representantes dos RHS das IEES, sindicatos e técnicos da SETI;
  • abertura imediata de negociação da pauta docente para discussão do Adicional por Tempo de Serviço-ATS;
  • contratação imediata dos aprovados em concursos públicos garantindo aposentadorias e direitos conquistados durante décadas; e
  • abertura de novos concursos públicos para as carreiras docentes e dos agentes universitários.

Mais informações:
Site do Sintespo
Página do Comando de Greve Unificado dos Servidores Públicos do Paraná na região dos Campos Gerais