Durvalina Correia, 77 anos, depende do Serviço de Atendimento à Saúde (SAS) para conseguir uma cirurgia no joelho e no quadril. Ela é pensionista do estado do Paraná e há mais de dez anos possui próteses nos joelhos e no quadril. Porém, com a falta do repasse de verba do Governo do Paraná para a Santa Casa de Ponta Grossa, hospital que atende pelo convênio, ela precisou agendar o procedimento na rede particular.

 

O custo, segundo ela, é de aproximadamente R$ 40 mil apenas para recolocar as próteses no joelho. “Já faz quatro anos que tenho essas próteses, então agora fiz um exame de acompanhamento e o médico atestou que preciso de duas cirurgias, uma em cada joelho”, afirma a pensionista.

Assim como Durvalina, estão na mesma situação todos os servidores efetivos, aposentados, pensionistas, militares e seus dependentes do estado. Outro exemplo é Roseli Ferraz, que trabalha na vigilância patrimonial da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Ela também depende do SAS e se sente prejudicada pela falta de atendimento.

“Tenho um filho de quatro anos que precisa ir ao otorrinolaringologista todos os meses”. Ele precisa fazer acompanhamento pós-cirúrgico, e Roseli não consegue arcar com os custos de um médico particular. “Os gastos não são fáceis de contornar. Uma consulta, sem exames, custa pelo menos R$ 200. Não consigo entender como as coisas chegaram a esse ponto”, desabafa.

O governo do Paraná não faz o repasse da verba para a Santa Casa de Ponta Grossa desde novembro de 2014. A equipe de reportagem procurou o diretor financeiro da Santa Casa mas ele não quis informar o valor da divida. A direção da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (SindUEPG) também buscou levantar o valor do não repasse.

“O SINDUEPG solicitou por telefone dados referentes ao montante, no entanto a diretoria da Santa Casa entendeu por não repassar estas informações. O SINDUEPG pretende então entrar com um recurso formal”, comentou Gisele Masson, vice-presidente do sindicato.

Embora o governo tenha cancelado o repasse desde novembro, a suspensão dos atendimentos ocorreu durante a primeira semana de janeiro. O atendimento pelo SAS de todo o estado está ocorrendo apenas no Hospital Evangélico de Curitiba.

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