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Lauro Thomaz, aluno do curso de Jornalismo da UEPG, relata a experiência de participação no projeto de extensão realizado na região dos Campos Gerais

Foto: Lauro Alexandre
Rondonistas trabalham em Reserva-PR

 

Quando chegamos à cidade de Reserva, no dia 05 de agosto, os rondonistas, estudantes voluntários, já estavam trabalhando na Escola Gregório Szeremete. A Operação já havia iniciado no dia 31 de julho. As crianças pareciam muito envolvidas na gincana da reciclagem. Sob o comando de um apito, as crianças bradavam, em alta voz, o grito de guerra que tinham acabado de inventar. Algumas participavam da corrida de saco, outras rastejavam por baixo das pernas dos companheiros. Ainda havia aquelas que exibiam, com alegria, os desenhos que haviam feito.

 

Todos procuravam acumular pontos para o próprio time em busca da premiação final, que contou com a distribuição de doces e de guloseimas. Mas o objetivo não era instaurar o espírito competitivo. “O propósito da oficina [de reciclagem] é que eles aprendam a coleta seletiva, a preservação da natureza e que ainda sejam multiplicadores dessa ideia entre os pais, familiares e amigos”, explicou a coordenadora da oficina e professora da Faculdade Paranaense (Fapar), Carla Ragasson.

Na escola Evangelina Bittencourt dos Santos, outra equipe de rondonistas desenvolvia uma oficina sobre relações familiares. Um dos organizadores explicou que a atividade já havia sido realizada com crianças da comunidade e, naquele momento, a intenção era atingir os pais e os responsáveis.

“Estamos abordando esses assuntos com os pais porque seria uma boa oportunidade de conscientizar e fazer com que eles reflitam e passem esses conhecimentos aos filhos”, relatou o rondonista Mateus Pereira. A oficina abordou assuntos como violência contra a criança, o adolescente e a mulher, bem como sexualidade e drogas.

Mais tarde, os rondonistas se deslocaram para a região rural do município, na comunidade José Lacerda. O caminho até lá não foi nada fácil. Aproximadamente uma hora e meia de estrada de chão até chegarmos à pequena escola da comunidade. Quando chegamos lá, encontramos um grupo de rondonistas que já estavam trabalhando. Entre as atividades, a oficina de primeiros socorros e, para as crianças, o Cine Rondon. O companheirismo era visível o que se observava na integração entre os voluntários, sempre trabalhando em conjunto na comunidade.

Ao voltarmos ao alojamento, depois de muito tempo de espera até que nosso transporte chegasse, os voluntários se reuniram para preparar as atividades do dia seguinte. Na sequência, houve mais um momento de integração da equipe de rondonistas de Reserva, com a troca da experiência acerca dos primeiros contatos com a comunidade.

As atividades, na manhã do dia seguinte, se concentraram na praça da cidade com a divulgação das atividades que seriam feitas, durante a semana, todas voltadas ao tema saúde do homem. Na parte da tarde, além do trabalho na praça, o grupo ainda atuou em outra comunidade rural, tendo sido oferecidas oficinas na sede do Sindicato de Produtores Rurais da região.

Além da saúde do homem, também foi oferecida oficina sobre cooperativismo e associativismo. O presidente do Sindicato, Paulo Kochniuk, ressaltou a importância do tema da oficina por tratar “de algo que eles [os produtores rurais] estão tentando implantar e, a partir da oficina, a ideia poderá ser repassada e ter maior adesão dos associados”.

Oportunidade de aprender com a realidade local

Em Ipiranga, a equipe estava alojada em um centro de esportes cedido pelo município. Cada rondonista tinha uma barraca. O espírito de coletividade ajudava muito no trabalho e na convivência entre os colegas.

Como chegamos em um domingo, pouca coisa podia ser feita e a cidade estava, realmente, muito parada. As poucas pessoas que se viam pelas ruas estavam concentravam na pequena sorveteria da cidade e na praça central.

A rotina dos moradores era de cidade de interior. No final de semana, as pessoas costumavam caminhar até o mercado para as compras. Tudo isso acontecia até meio-dia. Desse horário, era muito raro encontrar qualquer estabelecimento comercial funcionando.

Mesmo com poucas atividades externas, a equipe de rondonistas, em reunião, aproveitou o tempo disponível para discutir e preparar as próximas atividades. O professor Mario Lopes, coordenador da equipe de Ipiranga, aproveitou o momento para também fazer uma conversa motivadora com os próprios rondonistas ressaltando a importância do trabalho que estava sendo feito e a convivência que a equipe tinha adquirido ao longo da primeira semana.

O Rondon, para muitos alunos, foi a oportunidade de conhecer um pouco mais as diferenças sociais da realidade local. “É uma realidade completamente diferente e, ao mesmo tempo, muito próxima. Não precisamos atravessar o país para saber que maioria da população brasileira, infelizmente, é carente e vive em uma situação muito precária”, lembra a rondonista Andressa Rosa.

Na manhã do nosso segundo dia na cidade, os trabalhos se dividiram entre a Escola Estadual Professor Claudino dos Santos e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apai). Na escola, o trabalho realizado consistia em uma conversa dividida entre meninas e meninos de diferente faixas etárias. A partir desse bate-papo, os rondonistas realizaram uma oficina sobre sexualidade na adolescência. Alguns alunos pareciam um pouco receosos em falar sobre o assunto, mas, depois de algum tempo de conversa, a confiança ficou mais forte e a vergonha passou.

Na Apae, o trabalho realizado foi de atenção aos alunos e atividades de interação e brincadeiras que envolviam todos os alunos. “Ver a felicidade deles, com o nosso trabalho, e o sorriso dessas crianças, só porque a gente fez uma pintura no rosto dela, não tem preço”, declara emocionada a rondonista Lorayne de Souza.

No período da tarde, a oficina sobre sexualidade se repetiu, na escola, mas focando um público diferente. E, ao mesmo tempo, um grupo de voluntários realizava uma oficina de fotografia no polo universitário da cidade. “O público não foi tão grande quanto o esperado, mas mesmo assim valeu a pena”, conta um dos oficineiros.

Após todas as atividades do dia, a equipe sempre se reunia para um momento de descontração e para fazer um resumo do que foram as experiências de cada um.

Rondonistas em gincana de resciclagem
Rondonistas em gincana de resciclagem
Rondonistas realizam trabalhos em escolas
Rondonistas realizam trabalhos em escolas
Rondonistas promovem brincadeiras e interagem com crianças
Rondonistas promovem brincadeiras e interagem com crianças
Cine-Rondon em Reserva-PR
Cine-Rondon em Reserva-PR
Rondonista promovem oficina de Primeiros Socorros
Rondonista promovem oficina de Primeiros Socorros
Rondonistas falam sobre prevençao de acidentes e primeiros socorros
Rondonistas falam sobre prevençao de acidentes e primeiros socorros
Divulgação da Campanha Agosto Azul
Divulgação da Campanha Agosto Azul
Oficina de Cooperativismo e Sociativismo
Oficina de Cooperativismo e Sociativismo
Rondonistas oferecem exames de glicose e aferição de pressão para a comunidade
Rondonistas oferecem exames de glicose e aferição de pressão para a comunidade
Rondonistas oferecem serviços médicos em Reserva-PR
Rondonistas oferecem serviços médicos em Reserva-PR
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Operação Rondon: uma lição para além da sala de aula

Durante duas semanas do mês de agosto, 113 rondonistas, todos voluntários, realizaram trabalhos nos quatro municípios dos Campos Gerais que receberam as atividades da Operação Rondon. O projeto é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Participaram outras dez instituições convidadas.

O professor Mario Cesar Lopes, coordenador da edição deste ano, ressalta que “não seria possível, para a UEPG, realizar a operação sem a colaboração de todas as instituições parceiras. Essa operação de 2016 é a realização de um sonho que iniciou, em 2015, com a primeira operação regional”.

A iniciativa é inspirada no Projeto Rondon, que é promovido pelo Ministério da Defesa, em parceria com instituições de ensino superior e com prefeituras. O objetivo é realizar ações cívico-sociais para contribuir com o desenvolvimento sustentável dos municípios mais carentes do país.

No caso da Operação local, o Rondon promove ações voltadas à comunidade regional. Para isso, são desenvolvidas atividades adaptadas à demanda de cada município selecionado. Para o coordenador de uma das equipes que atuou em Ipiranga, o professor de medicina da Universidade Positivo Edisom Brum, engana-se quem acredita que os municípios mais carentes estão apenas em regiões mais distantes, como o Norte e o Nordeste.

“A Operação regional da UEPG não está perdendo em nada para o modelo promovido pelo Ministério da Defesa já que não é preciso viajar quilômetros de avião para encontrar dificuldades e diferenças sociais”, avalia. “Basta pular o muro das universidades”, sugere.

A primeira edição da Operação Rondon regional foi realizada em 2015, nos municípios de Arapoti, Ibati, Tibagi, Piraí do Sul e Ventania. Este ano, as cidades contempladas foram Palmeira, Reserva, Ipiranga e Teixeira Soares. Segundo os organizadores, a redução do número de cidades atendidas se justifica pelo fato de que, com a proximidade das eleições, a preocupação de muitos municípios convidados acaba se voltando para as campanhas.

Para receber a operação, os municípios precisam oferecer apenas um local com condições para receber a equipe de voluntários. Segundo Lopes, também fica por conta das administrações municipais a despesa com a alimentação dos rondonistas.

Arquivo Portal Comunitário:

16/08/2016: Rondonistas participam da cerimônia de encerramento da Operação Rondon 2016

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Categoria: UEPG
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