O documentário "Doze meses de resistência: A terra como horizonte de vida" será lançado oficialmente neste sábado, dia 08/07, às 18h, no Acampamento Maria Rosa Do Contestado (MST), em Castro.

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Apresentação

altA vereadora Ana Maria de Holleben (PT) permanece no cargo enquanto aguarda conclusão das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal e da Justiça. Indiciada pela Polícia Civil em falso sequestro anunciado em 1º de janeiro deste ano, a  parlamentar disse que seu caso foi “superdimensionado”. “Vou fazer uma pesquisa e processar quem disse que existiu propina e suborno”, ameaça a vereadora. 

 

Os membros da CPI ouviram na sexta-feira (19/04) o primeiro  depoimento da vereadora Ana Maria, e o mais esperado das investigações. Depois da pouca informação e das contradições encontradas nos depoimentos dos outros indiciados no inquérito da Polícia Civil, os membros da CPI esperavam que Ana Maria mudasse sua versão e esclarecesse os fatos. Mas não foi o que aconteceu.

A parlamentar manteve a versão de que não se lembra do que aconteceu no dia 1º de janeiro deste ano. Segundo o presidente da CPI, George Luiz de Oliveira (PMN), a vereadora apresentou atestados que provariam a instabilidade emocional alegada pela parlamentar. Segundo os atestados, Ana Maria está em tratamento desde julho do ano passado.

Em alguns momentos do depoimento, a vereadora Ana Maria afastou o microfone para falar. A parlamentar disse que não quis gravar algumas coisas porque, segundo ela, são muito pessoais.

Questinada pela imprensa após deixar a CPI, Ana Maria explicou: “São fatos novos, que servem para entender melhor o caso. Não sei se podem mudar o rumo das investigações”.

Sobre essas declarações, o vereador George disse que não acrescentam nada nas investigações. A vereadora não se negou a responder nenhuma pergunta. Mas, para George, a vereadora “não foi convincente”.

Segundo o parlamentar, em determinado momento Ana Maria disse que as coisas fugiram de seu controle. “Acredito que a intenção dela era sumir por algumas horas. Ela não imaginava a dimensão que isso ia tomar”, explica o vereador.

Cinco dos seis indiciados no inquérito policial foram convidados pela CPI para depor no plenário. Idalécio Valverde da Silva, motorista da vereadora; sua mulher, Susicleia Valverde da Silva, que não compareceu; o irmão de Idalécio, Adauto Valverde da Silva, que exerceu seu direito ao silêncio; e Reginaldo da Silva Nascimento, motorista da Câmara Municipal e primo de Adauto e Idalécio; e a vereadora Ana Maria de Holleben. 

As contradições entre os depoimentos obtidos pela CPI têm dificultado a conclusão das investigações.  “Reginaldo disse que Ana Maria mandou jogar os celulares deles de cima de uma ponte, em um rio, e a vereadora diz que desconhece esse fato”, cita George.

Já o vereador Pietro Arnaud (PTB), membro da CPI, considera que os depoimentos têm ajudado nas investigações. “A fala dos funcionários convidados contradizem as afirmações da vereadora. E a utilização do direito ao silêncio pelo Adauto mostra que ele não quer criar provas contra si mesmo”, conclui Pietro. Para ele, “a dificuldade em encontrar a verdade mostra que pode ter muito por trás do que aconteceu”.

Acompanharam o depoimento da parlamentar os membros da CPI, o presidente da Câmara Aliel Machado (PCdoB) e o advogado da Câmara José Augusto Carneiro. As conversas duraram cerca de duas horas na sexta-feira (19/04).

A próxima reunião da CPI, prevista para às 14h desta quinta-feira (25/04) na Câmara Municipal, vai decidir qual o próximo passo das investigações. 

A CPI começou no dia 8 de fevereiro desse ano. Até agora foram realizadas sete reuniões. Segundo o Regimento Interno da Câmara, qualquer Comissão Parlamentar de Inquérito tem o prazo de 90 dias para conclusão dos trabalhos.

Caso haja a deliberação do Plenário, o prazo pode ser prorrogado por mais 90 dias. Caso a CPI não conclua as investigações no tempo estabelecido, ela será automaticamente extinta.

 

Entenda o caso

A vereadora Ana Maria de Holleben foi indiciada de falso sequestro pela Polícia Civil. No dia 1º de janeiro, após a cerimônia de posse dos vereadores, prefeito e vice-prefeito, a parlamentar sumiu, não comparecendo à eleição da Mesa Diretora. A denúncia de sequestro foi dada à polícia, que mobilizou membros do grupo TIGRE de Curitiba.

Dos seis indiciados no inquérito Policia Civil, cinco foram convidados a depor na CPI. A mãe da vereadora, Branca de Holleben, mãe de Ana Maria, foi a exceção. Dos convidados, Susicleia Valverde da Silva não compareceu.

Os depoimentos foram dados de portas fechadas ao público, por solicitação dos depoentes. Segundo o vereador e presidente da CPI, George Luiz de Oliveira (PMN), isso assegura o direito à privacidade e melhor aproveitamento das informações fornecidas, além de ser uma lei estadual. Segundo o vereador, é possível que a CPI decida por uma acareação, devido às contradições nos depoimentos.